1. O Conceito Central — Valor Recuperável
Um ativo está desvalorizado quando seu valor contábil excede o montante que pode ser recuperado pelo uso contínuo ou pela venda. A norma exige que o ativo seja reduzido ao seu valor recuperável:
Valor Recuperável = MAX ( Valor Justo Líquido de Despesas de Venda , Valor em Uso )
Sempre o MAIOR dos dois — a entidade escolhe a alternativa mais vantajosa.
Valor Contábil
Montante pelo qual o ativo é reconhecido após dedução de depreciação/amortização/exaustão acumulada e ajustes para perdas já reconhecidas.
Valor Justo
Preço que seria recebido pela venda em transação não forçada entre participantes do mercado na data de mensuração.
Valor em Uso
Valor presente dos fluxos de caixa futuros esperados do uso contínuo do ativo. Perspectiva da entidade — não do mercado.
UGC
Unidade Geradora de Caixa — menor grupo identificável de ativos que gera entradas de caixa amplamente independentes de outros ativos ou grupos.
2. Periodicidade dos Testes
| Tipo de Ativo | Quando testar? |
|---|---|
| Ativos em geral | Apenas quando há indicadores de desvalorização ao fim do período de reporte. |
| Ativo intangível com vida útil indefinida | Anualmente — obrigatório, independente de indicadores. |
| Ativo intangível ainda não disponível para uso | Anualmente — obrigatório, independente de indicadores. |
| Goodwill (ágio por expectativa de rentabilidade futura) | Anualmente — obrigatório, independente de indicadores. |
Os três casos de teste anual obrigatório podem ser realizados a qualquer momento do exercício, desde que sempre no mesmo período. O teste de UGC com goodwill pode coincidir com o teste individual dos ativos.
3. Indicadores de Desvalorização
Indicadores Externos
- Queda significativa e atípica no valor de mercado do ativo
- Mudanças adversas no ambiente tecnológico, de mercado, econômico ou legal
- Aumento nas taxas de juros de mercado (reduz o valor em uso)
- Valor contábil do PL superior ao valor de mercado das ações
Indicadores Internos
- Evidência de obsolescência ou dano físico do ativo
- Mudanças no uso: ociosidade, descontinuidade ou reestruturação
- Relatórios internos com desempenho econômico inferior ao esperado
4. Mensuração do Valor Recuperável
A — Valor Justo Líquido de Despesas de Venda
Preço de transação ordenada entre participantes do mercado, deduzidas as despesas incrementais diretamente atribuíveis à venda.
- Inclui: despesas legais, tributos de transferência, custos de remoção
- Não inclui: despesas financeiras e impostos sobre resultado
- Não deve refletir venda forçada (salvo compulsória)
B — Valor em Uso
Valor presente dos fluxos de caixa futuros esperados do uso do ativo, calculado com taxa de desconto adequada.
- Projeção detalhada: máximo 5 anos
- Inclui: entradas/saídas operacionais + valor residual
- Exclui: fluxos de financiamento e tributos sobre renda
- Taxa de desconto: antes dos impostos, refletindo riscos específicos
Regra prática: se for possível calcular apenas um dos dois valores e ele já for maior que o valor contábil, não é necessário calcular o outro — o ativo não está desvalorizado.
5. Reconhecimento da Perda por Desvalorização
Se Valor Recuperável < Valor Contábil:
O valor contábil deve ser reduzido ao valor recuperável imediatamente.
A perda é reconhecida imediatamente na demonstração do resultado.
Exceção: se o ativo for reavaliado, a perda é tratada como diminuição da reserva de reavaliação.
Após o reconhecimento, os encargos futuros de depreciação/amortização devem ser ajustados ao novo valor contábil.
6. Unidades Geradoras de Caixa (UGC) e Goodwill
Quando o valor recuperável de um ativo individual não pode ser determinado de forma independente, usa-se a UGC — o menor grupo de ativos que gera entradas de caixa independentes.
Ordem de Alocação da Perda em UGC com Goodwill
1°
Reduz-se primeiro o valor contábil do goodwill alocado à unidade.
2°
Distribui-se a perda remanescente proporcionalmente entre os outros ativos da unidade.
Limite de redução: o valor contábil de um ativo individual na UGC não pode ser reduzido abaixo do maior entre: valor justo líquido · valor em uso · zero.
Goodwill — regra absoluta: a perda por desvalorização do goodwill é irreversível. Mesmo que as condições melhorem, a norma proíbe terminantemente a reversão.
7. Reversão de Perda por Desvalorização
✓ Reversão Permitida
Para ativos em geral — quando houver mudança nas estimativas utilizadas para determinar o valor recuperável.
Limite: o novo valor contábil não pode exceder o valor que teria sido determinado (líquido de depreciação) se nenhuma perda tivesse sido reconhecida.
Limite: o novo valor contábil não pode exceder o valor que teria sido determinado (líquido de depreciação) se nenhuma perda tivesse sido reconhecida.
✕ Reversão Proibida
Para o goodwill — a norma proíbe terminantemente a reversão de perda por desvalorização, independentemente de qualquer melhora nas condições.
Razão: o aumento do valor recuperável do goodwill após o impairment provavelmente representa geração de goodwill internamente gerado.
Razão: o aumento do valor recuperável do goodwill após o impairment provavelmente representa geração de goodwill internamente gerado.
8. O Que Mais Cai na Prova — Resumo Final
1Valor Recuperável = MAX (Valor Justo Líquido, Valor em Uso). Sempre o maior dos dois.
2Testes anuais obrigatórios (independente de indicadores): intangível vida útil indefinida + intangível não disponível para uso + goodwill.
3Valor em Uso usa taxa de desconto antes dos impostos e projeções de no máximo 5 anos detalhados.
4Perda reconhecida imediatamente no resultado. Após reconhecimento, depreciação futura é recalculada sobre o novo valor.
5Na UGC: a perda é alocada primeiro ao goodwill, depois proporcionalmente aos demais ativos.
6Goodwill: perda irreversível. Para os demais ativos: reversão permitida com mudança de estimativas, respeitando o limite histórico.
7Estoques, ativos fiscais diferidos, ativos financeiros e propriedades para investimento ao valor justo estão fora do alcance da NBC TG 01.
8Valor Justo = perspectiva do mercado. Valor em Uso = perspectiva da entidade (fluxos de caixa esperados descontados).
⚖️ Peso na prova — CFC 2025.2
Contabilidade Geral representou 48% das questões na última edição — a área de maior impacto no score do CFC.
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